Sentidos explosivos
Olá. Você já parou pra pensar no quão normal são seus cinco sentidos? Bom, normais até um padrão. Esses dias, li em um texto de exercícios falando sobre alguns dos ofícios do que sentimos fisicamente. Ainda nele, me deparei com uma coisa incrível e estúpida: nós percebemos nossas regularidades, apenas quando elas nos fazem falta. Isto é, só lembramos de ver quando ficamos cegos, só lembramos do conforto quando sentimos a dor, só lembramos de falar quando nos silenciamos.
Essas ideias foram minhas conclusões com base no texto. Contudo, notei que existem algumas exceções também, no campo dos sentidos. No meu primeiro ano do ensino médio, conheci alguns rostos novos na minha nova escola. Dentre eles, a Thata. Thata era, e sempre foi, mais alta que eu - sou um pouco abaixo da média masculina, e ela um pouco acima da feminina - com seus cabelos castanhos, um palmo acima das cinturas, ela foi importante pra mim, de certo modo. Thata era mais forte do que se nota em garotas, e era mais irrelevante também, no que tange à "frescuras" - isso sempre foi um fator determinante na minha afeição por ela. Além de tais virtudes, ela possui os olhos mais lindos que se nota em uma mulher: não azuis, verdes, mel, ou qualquer bosta colorida; eles tem uma cor marrom forte, tipo merda. Indiferente, não gosto dos seus olhos pela cor. Gosto pela profundidade; eu olho nos olhos dela e vejo sua alma. Eu me acalmo nas fibras que compõem cada canto do corpo dela. Eu sinto o bater de seu coração em minha mão, numa simples troca de olhares. Mas não. Eu nunca amei Thata, antes que indaguem. A atração é inefável; aquilo é fato.
Por que a classifiquei antes como exceção? Por nada tão a fundo como a beleza de seus olhos ou seu corpo tentador. Nada disso, senão pelo seu perfume. Sempre me orgulhei do meu olfato, ele sempre foi mais apurado que os demais - especialmente no que tange à comida - e isso se aplicava ao seu irreverente odor. Perceba que eu convivi com Thata por um ano naquela turma. No ano seguinte nós não nos víamos sempre - apesar dos vínculos sentimentais, meus laços de reciprocidade carinhosa raramente firmam-se em minha vida - e, desse modo, eu ansiava por alguns momentos de conforto naquele néctar. Não eramos da mesma sala, e isso é assim até hoje, mas às vezes fazemos exames em mesmo recinto. Atualmente, me contento em apenas cumprimenta-la. Antes, quando sentava em uma carteira atrás, deslisava meu nariz em seu cabelo, reprimindo toda e qualquer vontade de cheirar (abraçar, beijar, morder, devorar) aquele perfume. Ah, como é bom!
Perceba agora, por favor, esse momento contrastante: a conclusão tomada no início refutava a ideia do consentimento dos sentidos, enquanto com Thata, eu lembrava deles quando, simplesmente, pensava nela. O que Thata fazia eu sentir, é maior para mim do que a própria existência de Thata.
Peço perdão, meu leitor, pelo egoísmo em virtude dos meus regozijos. Sou um homem que não nasceu para viver, mas para sentir. Porém, ainda quero mostrar o que precisa ser mostrado no campo dos sentidos. O que retratei não cabe somente à minha irrefutável e imperscrutável capacidade de... cheirar. Não. Isso se inclui a todos os sentidos, mas com um toque de mágica. Repare em músicas: todas as músicas que ouvimos na infância, por mais merda que sejam, nos trazem algum sentimento. Seja ódio, nostalgia, saudade, felicidade... Não só isso; quem deixou de morar na casa dos pais, sempre que retorna tem a fantástica surpresa daquele prato de comida, aparentemente padrão, que mesmo se fosse uma colherada de urina, só por ser da mamãe, já valeu o dia. Retiremos o âmbito saudosista: amantes de fotografias ou de esporte, ao assistir suas indefiníveis paisagens e presenciar os variáveis tipos de jogos, mergulham numa onde de júbilo que infinitos olhos não conseguem suprimir de vez.
O lance é: nós não negamos valor à nossa capacidade de sentir. A nossa capacidade de sentir, por si só, já se manifesta em sentimentos. E como quaisquer sentimentos, ela não se passa em campos lógicos e conscientes sobre decisões racionais respectivas às suas funções encefálicas. Não. Nós lembramos dos sentimentos no momento em que vemos o mais profundo. Nós lembramos dos sentimentos no que se refere à nossas almas.
Eu lembro dos sentimentos quando olho em olhos como o da Thata. E você? O que reflete o seu você?
Essas ideias foram minhas conclusões com base no texto. Contudo, notei que existem algumas exceções também, no campo dos sentidos. No meu primeiro ano do ensino médio, conheci alguns rostos novos na minha nova escola. Dentre eles, a Thata. Thata era, e sempre foi, mais alta que eu - sou um pouco abaixo da média masculina, e ela um pouco acima da feminina - com seus cabelos castanhos, um palmo acima das cinturas, ela foi importante pra mim, de certo modo. Thata era mais forte do que se nota em garotas, e era mais irrelevante também, no que tange à "frescuras" - isso sempre foi um fator determinante na minha afeição por ela. Além de tais virtudes, ela possui os olhos mais lindos que se nota em uma mulher: não azuis, verdes, mel, ou qualquer bosta colorida; eles tem uma cor marrom forte, tipo merda. Indiferente, não gosto dos seus olhos pela cor. Gosto pela profundidade; eu olho nos olhos dela e vejo sua alma. Eu me acalmo nas fibras que compõem cada canto do corpo dela. Eu sinto o bater de seu coração em minha mão, numa simples troca de olhares. Mas não. Eu nunca amei Thata, antes que indaguem. A atração é inefável; aquilo é fato.
Por que a classifiquei antes como exceção? Por nada tão a fundo como a beleza de seus olhos ou seu corpo tentador. Nada disso, senão pelo seu perfume. Sempre me orgulhei do meu olfato, ele sempre foi mais apurado que os demais - especialmente no que tange à comida - e isso se aplicava ao seu irreverente odor. Perceba que eu convivi com Thata por um ano naquela turma. No ano seguinte nós não nos víamos sempre - apesar dos vínculos sentimentais, meus laços de reciprocidade carinhosa raramente firmam-se em minha vida - e, desse modo, eu ansiava por alguns momentos de conforto naquele néctar. Não eramos da mesma sala, e isso é assim até hoje, mas às vezes fazemos exames em mesmo recinto. Atualmente, me contento em apenas cumprimenta-la. Antes, quando sentava em uma carteira atrás, deslisava meu nariz em seu cabelo, reprimindo toda e qualquer vontade de cheirar (abraçar, beijar, morder, devorar) aquele perfume. Ah, como é bom!
Perceba agora, por favor, esse momento contrastante: a conclusão tomada no início refutava a ideia do consentimento dos sentidos, enquanto com Thata, eu lembrava deles quando, simplesmente, pensava nela. O que Thata fazia eu sentir, é maior para mim do que a própria existência de Thata.
Peço perdão, meu leitor, pelo egoísmo em virtude dos meus regozijos. Sou um homem que não nasceu para viver, mas para sentir. Porém, ainda quero mostrar o que precisa ser mostrado no campo dos sentidos. O que retratei não cabe somente à minha irrefutável e imperscrutável capacidade de... cheirar. Não. Isso se inclui a todos os sentidos, mas com um toque de mágica. Repare em músicas: todas as músicas que ouvimos na infância, por mais merda que sejam, nos trazem algum sentimento. Seja ódio, nostalgia, saudade, felicidade... Não só isso; quem deixou de morar na casa dos pais, sempre que retorna tem a fantástica surpresa daquele prato de comida, aparentemente padrão, que mesmo se fosse uma colherada de urina, só por ser da mamãe, já valeu o dia. Retiremos o âmbito saudosista: amantes de fotografias ou de esporte, ao assistir suas indefiníveis paisagens e presenciar os variáveis tipos de jogos, mergulham numa onde de júbilo que infinitos olhos não conseguem suprimir de vez.
O lance é: nós não negamos valor à nossa capacidade de sentir. A nossa capacidade de sentir, por si só, já se manifesta em sentimentos. E como quaisquer sentimentos, ela não se passa em campos lógicos e conscientes sobre decisões racionais respectivas às suas funções encefálicas. Não. Nós lembramos dos sentimentos no momento em que vemos o mais profundo. Nós lembramos dos sentimentos no que se refere à nossas almas.
Eu lembro dos sentimentos quando olho em olhos como o da Thata. E você? O que reflete o seu você?
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