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Mostrando postagens de agosto, 2014

Sonho

        Pego um pedaço do seu sonho e quebro em dois menores. Depois pego um deles e bato contra o outro. Nessa hora o sonho já não é o mesmo. Percebe? para que fosse igual, teria de ter forma, trajetória temporal e espacial, tudo igual. Quando se volta com os fragmentos, só se prova a inabilidade da junção dos prazeres; melhor ainda, a criação de novas alegrias. Se o sonho é um beijo, quebra-se, mistura-se e você consegue o sexo. Se o sonho é um abraço, faça o mesmo e você consegue um amigo. Se o sonho é amor, repita incansavelmente e o que se obtém é um anel; ou uma casa, aos mais liberais. Não há problema em sonhar por si, eu creio. A insuficiência é que só sonhar o concreto não vai salientar o desejo. Esse vem quando trinca-se as ligações de estabilidade dos planos de vida; quando mesmo tudo dando errado, a meta em frente é sempre igual; quando quem entrar no caminho, seja quem for, esteja suscetível a ser tirado do seu viver. O mesmo sonho que vive fora da cama,...

Grande

          —  M as é gran de mesmo?           —  Enorme!           —  Quão grande? Tipo, se eu tocar, vou sentir?           —  Ele vai bater forte na sua mão que vai até doer!           —  Você tem muita estima nesse seu brinquedo, bobo!           —  Brinquedo nada! Ele serve só para te fazer mais feliz, já que é tão grande, boba!           —  O que diabos vocês estão falando sobre, crianças?           —  Ele está falando para mim do coração dele, mamãe! Ou melhor, do nosso!           —   Pequenos e bobos, vocês dois.           — Não, tia: grandes e apaixonados!          

Emocional rabiscado

          Toca em mim, ó passos de Cinderella, porque só de sentir a ponta da poeira dos teus sapatos, sei já que nada peço a mais. Vem como te danças; dança como te queres. Mulher que quebra razões, que treme meus dedos e dói meus olhos. Mulher que brilha, forte e colorida ou tenra em preto e branco. Mulher que existe mais que o mundo nas concepções de quem ama, mas que pouco vê o cansar do próprio.           Fadiga.           Simplória, medíocre, exaltada, repetida, desgastante, cansada, repetida, morta, repetida, repetida e repetida.           Sai! Para de denegrir o que resta de mim! Coloca teus sapatos nos pés e teus verbos nos lábios. Maldita lábia que molda um desenho de criatividades sonhadoras. Malditos olhos que me ensinam a ver o que refuto. Porém, nunca maldita sejas tu que, tão inocente, cultivou do meu amor à ira. Tento convencer perturbações de tua culpa, como o fiz em p...

Como eu posso?

          Como eu posso simplificar que não entendo? Não entendo, mas bem sei. Tento só conseguir sorrir e conseguir tocar um pedaço de alegria que vem devagarinho, de vez em quando. Quase nunca vem, porém sempre vai. Uma mecha de cabelos - nem lisos, nem crespos; nem secos, nem oleosos - um tanto coloridos e soltos por entre minhas mãos desaprendidas, fracas, suaves e, mesmo assim, cansadas.           Como eu posso mostrar que não vou entender agora? Funciona como um padrão de pedagogia: não se passa uma questão de mestrado ao mero juvenil do primário. Igualmente, não se espera de quem nada conhece, de tudo saber. Melhor dizendo, sei bem o que quero, sei como o quero e como o farei. Sei que não vou precisar de empurrões ou motivações como antes, sei que vai ser um alívio e que vou desfrutar de cada pedaço do futuro.           Como eu posso provar que não estou sendo ignorante? Minha mente, tida como supérflua,...

Mês passado

          Há algumas semanas meu antigo notebook queimou. Meu período de ausência deve-se ao tempo que levei para decidir se, de fato, compraria outro. Fi-lo e espero que agora volte eu a postar mais regularmente. E termino aqui.           Grato