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Mostrando postagens de abril, 2015

Pai

          Q uando eu era criança, talvez com 4 ou 5 anos, e eu ficava triste, meu pai vinha com o violão dele. Ele abr ia o sorriso dele, parecia maior que o violão nas minhas concepções. Ele sentava na altura da minha cintura na cama, enquanto eu ficava deitado. Não falava nada. Preparava seus dedos e cantava Romaria. Sou caipira, Pirapora nossa Senhora de Aparecida Ilumina a mina escura e funda O trem da minha vida           Hoje eu, quando fico triste, deito na cama. Aí olho para meus lados. Não tem violão. Meu pai está longe, feliz com um filho triste.             Um filho que precisa de Romaria.          

Se acalma

          Lê devagarinho. Só se estiver com nervosismo. Agora que leu isso, deve ter batido um nervosismo, então pode ler sim.                   Tô pulando as linhas pra acabar com seu senso de pressa, com seu senso de querer pular pra parte boa, sem ter que pensar. Assim dá pra mostrar o quanto pensar é incrível pra mim. E você, devagar - devagar, suave, dança nas palavras, volta e lê desde o começo uma, duas vezes, faz isso no final de todo parágrafo, relaxa, devagar - vai chegando aonde eu te levo.           Sabe eu? Sabe, sabe sim. Olha pra mim de leve daí. Só fecha o olho e olha. Vai tá comigo na cabeça, bem sei. Tô sendo metido não, só bem sei; me pego pensando muito também. Mais do que você acha, até; juro!          Então... eu, né? Isso, eu, fica comigo na cabeça assim. Agora você vai pensar em uma categoria de percepção. Devagar, sempre devagar, se for ...