Guerra

           Escrevo banhado à lágrimas. Lágrimas que não são só minhas. Lágrimas que carregam o pesar dos meus amores. Lágrimas que, uma vez, foram os meus maiores sorrisos. Escrevo sem saber como. Com meus dedos tremendo. Meus olhos embaçados e meu coração queimando. Escrevo porque me desespero. Não há calma nem sossego nestas palavras. Medo, horror e... despedida. Lágrimas de fósforos que se acendem ao tocar minhas bochechas. Bochechas vermelhas pelo calor. Calor que me derrete e me destrói. E, em meio a todos os piques de 'adeus' que eu, em breve, darei, despejo prévias lágrimas pelo único que torna meus soluços mais úmidos que o mar.
          Titubeando como se não fosse mais possível. O melhor amigo que se pode pensar. Substância que se evidencia na simples companhia. Não vou saber te dizer isso quando te ver, meu amigo de dois anos e meio. Meu melhor amigo de dois anos e meio. Você, parte do que compõe os meus, poucos, sorrisos. Compõe-os, quase que, inteiramente. Você que, sem palavras ou ações, sem sorrisos ou irrelevâncias, conhecia a mim mais que meus mais próximos familiares. Rio e choro com os momentos que te conheci. O simples assistir de uma partida de tênis de mesa. Lembro, do exato momento: minha blusa branca, da Reebok e você com uma azul, potencialmente feia. Entreolhamo-nos. O trocar simultâneo das mesmas palavras nunca sairão de minha memória: "Coé". Pronto. Firmou-se. O maior tronco de amizade. O concretizar dos conceitos abstratos de família. É isso que você foi. Que você é.
          Lembro de cada um dos seus momentos. Foi por sua causa que eu aprendi a falar "mano" e "daora". Foi por sua causa que eu notei mais o meu sotaque quando falava "bosta". Aquele som de 's' bem puxado. Sempre me alegrou ouvi-lo. Mesmo no meio da classe, no primeiro ano, quando você o disse em voz alta na classe, alegrando, não só a mim, como todos lá presentes. Sem seu humor impróprio, sem sua característica de pinóquio e sem seu, levemente, torto sorriso, eu não seria o mesmo. Óbvio que não. Eu não seria metade do que sou.
          Vou sentir saudade. Saudade das palavras que nunca soube te dizer. Saudade dos abraços que nunca te dei. Saudade dos momentos que sempre adiei. Porque, para mim, o firmar de nosso elo - ainda não rompido - é maior que a existencialidade dos momentos que vivemos. Vou sentir saudade de te olhar nos olhos e rir por nada. De te cumprimentar e me decair nas únicas mãos que, por muito tempo, eu pude confiar. Vou sentir saudade do seu daltonismo. Vou sentir saudade de... Guerra. Da Guerra, que mesmo agora me destruindo,  mergulhou-me, desde sempre, no maior dos carinhos que já vivi. Obrigado, por tudo. Meu amor por você é inegável, grande amigo.
       

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