Cheio de gente lá fora, te esconde quieto, o som das pessoas não chega a entrar aqui. Se tá com fome, lê. Se tá com tédio, lê. Se tá triste, lê. Se tá feliz, lê. Quer ligar para alguém, lê. O único som que entra é a contração dos ouvidos quando olhos fecham com força, as têmporas parecem ricochetear bem velozmente, produzindo um estridente som, um motor de moto velha na cabeça. O som mais confortável que se pode ter no momento é o arranhar dum quadro negro cerebral. E se abrem leves os olhos, os mesmos olhos, abrem com eles uma chuva silenciosa. Para de uma vez o estalo, ou diria, os estalos, como se a moto resolvesse desligar o motor da companhia. O motoqueiro passa do teu lado e para, na chuva. O ponto da vida em que isso é mostra de cia. Anos de juventude (!!!), há quem diga.