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Mostrando postagens de outubro, 2014

Anorexia política

          A hiena mata uma zebra macho.           A, sozinha e extenuada, zebra fêmea não mais consegue viver.           Os filhotes nem sequer saem do útero materno.           O mundo animal se exalta.           Capins gritam de alegria e proliferação.           Leões gritam a fome e a morte.           A hiena não tem mais ossos senão os dela mesma.           A zebra, morta, não pôde, nunca poderia, fazer nada contra o egoísmo da hiena.           E, assim, vivemos em um mundo de capins e húmus.

O preço do silêncio

          A menina comia um bolo na casa de sua avó. Era natal e a família estava radiante em termos de moda; como era um dia quente do litoral nordestino, as roupas não eram tão... evidentes. Os pais e tios, claramente, preparados como turistas, visto que apenas a avó lá morava. Biquinis, bermudas e sungas para os pequenos; camisas claras e chapéus redondos aos já bêbados familiares. Ainda era cedo - onze da manhã - e, por isso, a preocupação para com a ceia não se fazia necessária. O que importava era a praia.           Garota de São Paulo, crescida em meio aos prédios ofuscantes e sobre o asfalto 'negropretosujoduro' das ruas; ela era pequenina e curiosa. Quem nunca? Ainda em seus cinco anos, a inocência transbordava-lhe nas ações, como era notado naquele natal. Firme crente no gordo Papai Noel, a jovem delirava-se em sorrisos mais verdadeiros que o de um homem defronte a seu amor. Esperava ansiosa o emocional preço de um presente se...