Império do silêncio
Ele tinha saído de casa para vê-la. Foi com uma barra de chocolate na mão, com todos os agasalhos que, no momento, tinha posse; pegou as chaves, já tremendo. Nem havia tocado a rua e já não sabia o que falar; pensava e pensava e tudo só ficava mais confuso. Como podia esperar alguma coisa tão cedo? Ele não sabia; tentava organizar inúmeras linhas das possíveis trajetórias que a conversa, quem sabe, viria a tomar. De nada adiantaria, tolo. Ligou para ela: "Posso passar aí?". Sorriu. O sabor do consentimento é mais virtuoso que as alegrias da riqueza. Sentiu um leve pulsar percorrer, desde a parte de cima do pescoço, até ir se dissipando pelas pernas. E, assim, ele foi. Ela passara a manhã deitada sobre a cama com uns pijamas coloridos e felizes demais para aquela solidão. Ficava com os olhos na televisão, mas com a cabeça no peito. Não sabia o que sentia, ou sequer sentia alguma coisa; sabia só que era confuso. Sabia ...