Por que?
Quando digo às pessoas que estou escrevendo, elas, geralmente, não perguntam sobre o que escrevo. Não perguntam nada específico sobre quaisquer possibilidades da minha inserção para um papel. Ocorre, quase sempre, uma pergunta bem simples e, de certo modo, bem complexa: "Por que?"
Por que escrevo? Por que faço isso? Se o faço bem para mim ou se o faço mal para alguns, é-me indiferente. Então são pelas ideias? Ideias vêm e vão, ideias são fáceis de se pensar, difíceis de se entender. Já acho difícil pensar, então entender torna-se algo incompreensível às vezes, diga-se de passagem. Pois bem, por que escrevo? Me sinto bem, em parte, no processo. Isso varia, contudo. Escrevendo melancolias, fico apto; escrevendo alegrias, fico invejoso; escrevendo sobre amores, fico confuso; e escrevendo sobre medo, fico indiferente. Eu não sou o que está escrito. Não sou o que está aqui. Todavia o papel - depois de sentir o meu grafite, do meu lápis, da minha mão, do meu corpo, do meu ser - essa folha marcada, branca ou amarela, lisa ou amassada, ela é parte de mim.
Mas manter o hábito? Pegar o lápis e rabiscar uma folha ocasionalmente? É bom? É gostoso? Sem dúvida! Aqui tudo é possível. Eu posso narrar um assassinato, enquanto descrevo uma banana e disserto sobre os benefícios do potássio. E mesmo assim, alguns ainda achariam interessante. É um mundo manipulado, fácil de moldar e encaixar dentro dos padrões de aceitação dos que leem. É evidente, no entanto, que sigo os meus padrões de aceitação. Defeco e caminho ao que não apetece a emaranhados de dogmas e paradigmas sobre os quais, na sua maioria, desconheço. Mas isso não vem ao caso. Acho que me anima, faz-me sentir bem, me dá prazer, o ato de escrever aqui. Mas ninguém vive só de prazer.
Do mesmo jeito que ninguém depende só de emoções, nem, também, a minha escrita. Ela vive de mim, e eu vivo dos meus atos, assim como qualquer um. Dificuldades e incapacidades de interpretação hão de ser, como têm sido, frequentes. Não julgo. Afinal, tenho meus problemas na incrível habilidade da compreensão. Acho, somente, que vivenciar tamanha frivolidade é perda de tempo. Para mim e para quaisquer comentaristas imprudentes, o mundo é muito maior que uma - ainda mais que a minha - folha de papel.
Desse modo, não sei. Não sei por que faço isso. Por que dou-me o trabalho de perder minutos ou horas de alguns dias, na tarefa de banhar um papel à palavras? De lado com sentimentos. Acho, somente, que escrevo. Por que? Porque estou no lugar certo, na hora certa, e com o lápis na mão.
Clap, clap, clap! Ótimo descobrir alunos que escrevem - e com tamanha qualidade. Siga em frente, meu caro. Escrevemos porque escrevemos, e isso basta. Assim fazemos o (nosso) mundo melhor. Manterei meus olhos atentos por aqui. Grande abraço!
ResponderExcluirIdem, professor!
Excluir