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Mostrando postagens de fevereiro, 2018

dom quixote

No cimento da tolice não assenta nenhum edifício discreto

Eu vou nas asas de um passarinho; Eu vou nos beijos de um beija-flor

Ao último dia de fevereiro de 2018.  Eu matei um beija-flor uma vez. Peguei ele numa árvore, tava num ninho com os filhotes. Fui pegar pra mostrar pra um amigo meu, éramos novos, e nessa brincadeira acabei machucando o bichinho na minha mão e ele morreu. Eu vou nos beijos de um beija-flor. Ter morrido no último beijo te faz pensar, ainda que não faça sentido conscientizar o fato de que não se mostrou como um beijo, pois uma súplica. O silêncio me ensina muito, meu próprio, ainda que a comunicação me ensine bombas. Morro por dentro em entalados dramas que não sabem sair nas palavras, e se há bens que neutralizam esse abafamento poderia eu dizer que se apresentam na forma de silêncio e fotografia. A leitura me traz satisfação pela sensação de aproveitamento de tempo de vida. Meus conceitos de gosto e predileção parecem volver em torno do quanto eu aproveito meu tempo de vida. Em questão de aprendizado, no caso, e um pouco mais. Gosto também das sensações que as coisas dão, mas 2018...

Vista cansada

Otto Lara Resende Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou. Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escr...

Sancho Pança fala da morte

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sancho

entre o "sim" e o "nao" da mulher não me atrevia eu a meter uma ponta de alfinete

Tanu

gostoso pra chuchu

xua xua oh yeah

Onde eu estou?

Só me hão vistos uns e outros; ou uns ou outros, todos de uma vez até onde sei... Onde eu estou? Me abro pra um leque menorzinho que vê uma coisa tremendo sem saber o que é e fica curioso; eu convido uns pra ter de mim o ombro. Onde eu estou? Num vídeo de youtube, salvo para si do futuro: o pesar de pensar noutras perspectivas agora reticentes. Inexistentes para afirmar com afinco de um monge, a nona alma de um velho gato. Onde eu estou? Se estou em pé ou deitado, também não sei. Uma hora um e outra hora outro. Mas pois bem dá para se observar tudo daqui, e lembro de tudo que vejo. Pelo visto, lembro apenas; reconhecer em si, não me é possível. Onde eu estou?  Eu não conheço esse lugar e ele me dá um medo. Muitos limites, pelo menos alguma vontade, sei. Onde eu estou? Eu estou onde eu quero exatamente, ainda que ocasional descontroladamente, ainda que quem não? Onde eu estou? No alpha e no ômega, à la messias.