Amedrontado

          Nossos pés entrelaçados. Você a dormir bem à minha frente. Não estamos cobertos neste frio, pelo calor que nossos corpos emanam. Eu sinto seu nariz na ponta do meu, o seu cabelo se desfazendo sobre os meus dedos e as covas de suas maçãs em ênfase pelos meus beijos que te fazem sorrir em seu sono. Não vou dormir esta noite. Eu sei. Eu sei que vou querer ficar te olhando. Vou querer dançar com minhas mãos pelas suas curvas, e ver seu corpo balançar enquanto respira.
          Mantenho as lembranças da noite que, para você, já terminou. A madrugada começou em calafrios, passou pelos seus calores e atritos sebosos, terminando na satisfação dos júbilos quentes como os meus medos. Seus beijos que me umedecem, começam pelos meus pés, sobem por entre minhas pernas, pelo peito até o pescoço. Caminho em seu decote. Minha face áspera toca em seus seios enquanto os lábios envolvem seus ápices. Dançamos e sacudimos. Não somos nós dois, nem somos um. Somos o momento. Somos a troca de olhares, os dedos em nós, os dentes envolventes e o incessante "Meu Deus".
          Mas agora você não está mais aqui. Agora você está sozinha no seu mundo. Na sua terra de mistérios e prazeres. Enquanto eu só posso observar os delicados sorrisos que se manisfestam no canto da sua face. Sorrisos brandos e gostosos de se ver. Sorrisos que, como os momentos mais humilhantes da juventude, ficam presos em minha mente. Amo-os. Amo suas pequenas mãos que repousam sobre minhas costelas. Amo seus olhos dourados, que mesmo fechados, brilham como jóias. Amo seus cabelos louros jogados sobre meu rosto, que cochila acordado assim tão perto do seu. Só isso que amo por hoje. Nada mais. Sem quaisquer arrependimentos pelos amores que um dia tive, opto por te amar enquanto dormes. Já que, assim, tudo é perfeito e nada, mais uma vez, pode dar errado.

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