Sobre amor

Nos Ois que nos damos em escadas ou corredores, no perpassar, no breve momento na small talk que ninguém vê

eu gosto de esperar o outro passar

e sentir amor de formas transcendentes e fortes, como qual quebra montanhas, água os cactos e cachos; amor que seja visível a todos os olhos que não estão ali

Me abalo ao som do estar do outro, porque de amor me encho e brilho,
e suspiro: alívio! não como quem sente cheiro úmido quando tem sede, mas como qual, na sede ou não, ama à agua pelo fluxo, pela participação consigo, com o que se há. Amo como quem vê a água no brilho dos olhos do outro; e ao amar os olhos e a água não se deixar pender o amor por lados; me faço lembrar, também por amor, que não amo os dois ou só um ou todos, pois que, senão, apenas amo e de palavras o amor não se completa; amo tendo como amor meu o amor que é meu, sendo esta sua definição, podendo ser banhada de nomes e renomes, vestida tal qual eu num dia embalado, porém amor nu e mutável, compreendedor do une, realizador do é.

amo e me prostro à luz da existência para lograr, no ato evidente de meu transbordante transcendente amor, atingir à tese, tornar real, promover minha memória ao cargo de fio do tempo, tão constituído como constituinte, tão pronto como em processo, tão sonoro e afinado quanto surdo e arrebentado.

Amor. Amo, e amo.

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