Ensaio
Vivo enquanto ser
sou solitário e simpatizo com a solitude
aprecio presença, porém reitero minha solitude como fator primordial de ser quem sou.
porém, ao ser quem sou, sou na medida em que quero ser quem sou com alguma finalidade
se quero ser, logo não sou
por isso não sou solitário. porém ao querer ser acabo por viver só e isso faz de mim solitário e simpatizante da solitude
concluo ser social, na ideia de que o instante define meu ser, porém concluo que se baseando no instante, também me faço solitário
em cenários de puro ócio, balanceio minha solitude com companhias
sou social dessa forma? ou fujo da solidão
sou solitário dessa forma? ou fujo da sociedade
sou enquanto sou, não mais sendo o que fui porém sendo o que serei na medida em que o quero ser.
a solução do contraste me parece ser a abstenção do querer,
porém, enquanto ser-que-quer não vejo com clareza a ideia de não querer, visto que essa ideia é um Nada. Intangível por se tratar do imaterial - se João não está aqui, bem sei por não vê-lo, porém o querer já nunca me é visto, logo sua tangibilidade consiste em algo que me é fora do normal: a abstração - o querer me intriga. E a falta do querer, ainda mais.
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