Ensaio sobre Tesão: Reciprocidade e Não-Reciprocidade (inacabado)

O prazer humano está, por cruzamentos entre a racionalidade e a subjetividade - jamais opostas, como duas árvores que nascem muito próximas e cujos galhos se entrelaçam -, intimamente ligado à idealização sexual. Uma capacidade de antecipar a sensação de prazer seria, portanto, o requisito primordial do gozo. Digo uma não para frisar na unicidade desta, mas sim para evidenciar que se faz necessário pelo menos uma capacidade de antecipação para que o prazer se desenrole. E há tantas capacidades de idealizar quanto fantasias.

.

.

.

(Texto em processo)

Antecipar o tesão por via da heteroestima é uma forma de capacidade recíproca. Induzir a perspectiva do gozo do outro para comigo. A capacidade recíproca não condiz com a reciprocidade do sexo. Apenas constitui uma intenção de mutualismo do transante que se capacita. A indução da perspectiva pode ser essencialmente criada, ainda que não verossímil, para que a transa simplesmente "aconteça". Seria desreciprocicar o recíproco, ser enterrado num berço ou ser concebido num caixão. O ideal de reciprocidade requereria que a perspectiva do gozo do outro para comigo fosse, não induzida, mas constatada. Porém, uma sociedade que carece de esclarecimento comunicativo não tem em si capacidade de elucidar a constatação com veemência em sua totalidade. Logo, em momentos parciais, a ideia da sensação do outro, o-que-o-outro-sente ao meu ver pode ser dado pela fantasia. A indução seria a fantasia em seu fluxo. Dar à mente a fé na 'certeza' do que o outro sente. 
A indução pode ser ampliada à mente do parceiro. Para evitar fins manipulativos, o ideal recíproco requer o esclarecimento da tentativa de indução. Ao meio de uma transa, por exemplo, um "sorri para mim" serve como ponte para que o sorridente se certifique de que o mandante está gostando do que faz por conta do convite à fantasia mascarado em ordem, assim como este se certifica de que o sorridente gosta do que faz por conta do próprio sorriso - este aberto em tons mais tímidos no começo, porém mais molhados conforme o desenrolar dos quicantes dentes: o genuíno.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Gota