Fuga

A fuga é negação.
Fugir requer sair de si; uma vez que, ao sair do ponto A, sua memória se petrifica enquanto seu-ser no ponto A, este ser que ficou é o eu; já o ser que distoa do ser que ficou, o ser que se afasta do ponto A em direção ao B, este ser é um eu-para.
Ao sair de A, este ato, a fuga, é negação se comparado ao caminho que se escolheu - escolheste sair e não ficar. O ser que vai à B, o eu-para, vê-se em enquanto especulação de si no futuro. Logo ele nega a si no trajeto e afirma a si no futuro - tal como nega a si no futuro e afirma a si no presente (por se estar preso ao processo de ir à B), apenas para elucidar a infinitude da gama dos possíveis.
É de sábio poderio e maestria no viver ter o esforço e desenvoltura para aprimorar a capacidade de enxergar tais perspectivas e possíveis. O pensamento unilateral é tendencioso, tal como a mais venenosa volúpia, e jamais pacífico - visto que está sempre pendendo para algum lado em vez de realizar por sobre a ideia de lados - tal como um cão que espera seu Deus ao fim do dia.

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