Formulando melhor o que eu queria ter dito para a Maria, mas que não me apareceu apropriado para o meu estilo de escrita no Whats App
Na hora, comecei um raciocínio interessante para ela. Usualmente, durante meu cotidiano, pego-me pensando sobre a atenção que dou enquanto ouço falas de pessoas direcionadas à mim. Minha atenção certamente há de se dirigir à algo. Enquanto ser humano, me é impossível dividir de modo constante e travado (50/50) uma atenção pela metade a duas coisas ao mesmo tempo. Talvez intercaladamente, porém em termos de consciência é impossível que a atenção se mantenha plena e harmonicamente dividida. Essa ideia é ainda reforçada em uma conversa: enquanto ouvimos, não sabemos por quanto tempo ouviremos. É sensato pensar que, conforme o tempo passa, há mais coisas para se dar atenção. Uma conversa, podendo durar um determinado tempo, digamos 20 minutos... em 20 minutos várias coisas acontecem.
Voltando. Ainda que isso seja uma questão em que penso, não me é um problema. Primeiro tenhamos claro que dou atenção preferencialmente quando vejo que há uma boa conversa pela frente. Com verdades, com sentimentos, com informações interessantes. Quando as coisas não me condizem, eu avalio. Às vezes eu só não sei mesmo o que falar por ser um assunto que nada entendo sobre. Geralmente abro o jogo. Às vezes eu só não estava com a mente no lugar em que me foi proposto com a conversa. Já me foi mais difícil prestar atenção nesse caso. Porém a prática do viver social me foi um exercício para aprimorar este feitio. Hoje me vejo com sagacidade para cultivar uma explosão atenciosa por um assunto surpresa, mesmo que não condiga com minhas expectativas de conversa. Mas, como dizia, eu avalio. Por exemplo, não é do meu interesse ouvir alguém me dizendo sobre o jogo do Flamengo. Eu nem me disponho. Se houver carinho, aí sim. Se meu pai me fala que o jogo do Vasco foi bom, gosto de ouvir isso não pelo Vasco, ou pelo time adversário, mas porque meu pai está conversando comigo e está amarradão. Me amarro junto. Agora se meu pai fala que, no jogo, um homem invade um campo e canta uma música, eu, que já fui uma pessoa que só dizia "que legal" (por genuína desilusão existencial e desinteresse egoísta) me vejo com tanto apetite no meu sedento ouvido quando me pego suando, rindo e esbaforido, atento ao cantar sem ritmo algum de meu pai.
Como dizia, não é um problema. Vejo como uma questão interessante. Predominantemente, numa conversa sobre assuntos que me condizem, coloco minha atenção às palavras, ao conteúdo do que me dizem. Gosto de ouvi-las.
Tão doce ouvir Maria dizer interessantíssimas palavras que pouco me importam. A forma como veste cães de origami me agrada, e o cheiro de Marlbooro FPS 30 naquele cabelo só me dá mais vontade dela. Delicioso, pleno, suave.
Em certos momentos, ao deixar de falar sobre coisas-interessantes-que-são-realmente-interessantes-mas-não-condizem-de-fato-com-o-ser, Maria falava sobre suas verdades. Várias das verdades de Maria não me condiziam. Maria passou por coisas que eu não passei, muito provavelmente por coisas que eu nem passarei. Somos pessoas diferentes, diferentes vidas, nada mais plausível. Me atentei às suas verdades, como aprendi a fazer por conta de minha vida civil e harmônica, em construção gradualmente há 21 anos. Gostei de vê-la enquanto o seu Eu;
ainda que as presilhas do mundo cultural façam com que este seu Eu saia frequentemente em faíscas (socialmente), me foi intenso ouvi-la. As lascas de fogo que saiam da sua boca me queimavam o ouvido. Momentaneamente vi luz demais, e logo depois nada vi. Suas palavras eram pequenas granadas de luz que eu me deixava cegar por serem os estouros de suas verdades lindos como os sons de uma boa pipoca.
Com Maria, não tive um senso de identificação em termos de conteúdo nas falas. Talvez em uma coisa ou outra leve, como o fato de que nós dois comemos com bastante voracidade. Mas por exemplo, Maria muito provavelmente não vai curtir ver uma maratona de filme comigo, um atrás do outro, da trilogia polonesa cult sexual até o tailandês tarantinista semi-cheirado pualera. Assim como eu não me imagino dando umas alongadas boladas no yoga. Mas, cara, que gostoso ouvir ela falando com tanto amor sobre como o yoga a toca. Vê-la amando foi lindo. O querer das suas palavras enquanto eu a via imaginando as coisas que dizia com uma face apaixonada. Vi, no yoga de Maria, uma linda Maria.
Por que esse raciocínio se deu?
Creio que predominantemente foram os seguintes aforismas, junto ao ressoar da voz de Maria, que me trouxeram essas reflexões todas.
* No filme LadyBird, uma moça fala à outra: "Amor e atenção, no fim das contas, não são a mesma coisa?"
Esse aforisma me vem muito à mente. Creio que amor e atenção podem ser a mesma coisa. Creio que eles também podem não ser. Uma pessoa pode estar sendo forçada a dar atenção a uma tarefa ruim no seu emprego. Ele não a ama. Creio que esse destoar entre a atenção e o amor seja parte da quebra do Eu. O indivíduo que atenciona sem amar é o indivíduo que não é pleno. Seja o escravo, que não faz o que quer por não poder, seja o confuso, que não faz o que quer por não saber.
No cotidiano, quando dou atenção à pessoas, de tempos em tempos troco minha atenção para outra coisa, no meio da conversa. Faço isso para que a atenção - que ando dando com vigoroso amor - não seja recebida aos ouvidos dos indivíduos sociais como algo que estes não saibam lidar. As pessoas são confusas, é natural. Eu não me vejo como um indivíduo confuso hoje, e a isso atribuo ao acaso, ao dinheiro de minha família e ao conhecimento que busquei. Dessa forma, consegui no atual momento de minha vida resolver certas questões que me levariam mais tempo se eu seguisse passos diferentes em meu viver; ao meu ver, as pessoas endeusam o estado de plenitude humana, assim como demonizam o cracudo. Em essência o que acontece é que você toma decisões mais rápido do que tomaria e não põe tanto vigor na ideia de se estressar. É isso. Isso é ser pleno. Acabou, sociedade pós-moderna, parem de enrolar, já deu.
* Herman Hesse, em Sidarta, lança essa:

Esse aforisma pega tudo que eu falei até agora, coloca na privada e dá descarga. Tudo, tudo o que eu disse sobre as palavras e a sociedade e a cultura, tudo são meros nomes que damos a tudo aquilo que não-é. Como quando Fernando Pessoa falou da leitura "a distinção entre nada e coisa nenhuma". Esses caras estão pegando toda minha apreciação pelas palavras e me colocando em xeque.
No entanto, quando toquei a pele de Maria com meu rosto no CCBB; quando nadei por ela e a vi nadar por mim... o que eu senti foi uma sensação que Hesse me ensinou a sentir, tipo quando um amigo doidão guia sua onda numa droga. A maciez da pele dela, a dureza do teu morder, o sabor!!!
Sentir.. Valorizo o conteúdo que vem de ti. Amo a sensação que me vem de ti.
Voltando. Ainda que isso seja uma questão em que penso, não me é um problema. Primeiro tenhamos claro que dou atenção preferencialmente quando vejo que há uma boa conversa pela frente. Com verdades, com sentimentos, com informações interessantes. Quando as coisas não me condizem, eu avalio. Às vezes eu só não sei mesmo o que falar por ser um assunto que nada entendo sobre. Geralmente abro o jogo. Às vezes eu só não estava com a mente no lugar em que me foi proposto com a conversa. Já me foi mais difícil prestar atenção nesse caso. Porém a prática do viver social me foi um exercício para aprimorar este feitio. Hoje me vejo com sagacidade para cultivar uma explosão atenciosa por um assunto surpresa, mesmo que não condiga com minhas expectativas de conversa. Mas, como dizia, eu avalio. Por exemplo, não é do meu interesse ouvir alguém me dizendo sobre o jogo do Flamengo. Eu nem me disponho. Se houver carinho, aí sim. Se meu pai me fala que o jogo do Vasco foi bom, gosto de ouvir isso não pelo Vasco, ou pelo time adversário, mas porque meu pai está conversando comigo e está amarradão. Me amarro junto. Agora se meu pai fala que, no jogo, um homem invade um campo e canta uma música, eu, que já fui uma pessoa que só dizia "que legal" (por genuína desilusão existencial e desinteresse egoísta) me vejo com tanto apetite no meu sedento ouvido quando me pego suando, rindo e esbaforido, atento ao cantar sem ritmo algum de meu pai.
Como dizia, não é um problema. Vejo como uma questão interessante. Predominantemente, numa conversa sobre assuntos que me condizem, coloco minha atenção às palavras, ao conteúdo do que me dizem. Gosto de ouvi-las.
Tão doce ouvir Maria dizer interessantíssimas palavras que pouco me importam. A forma como veste cães de origami me agrada, e o cheiro de Marlbooro FPS 30 naquele cabelo só me dá mais vontade dela. Delicioso, pleno, suave.
Em certos momentos, ao deixar de falar sobre coisas-interessantes-que-são-realmente-interessantes-mas-não-condizem-de-fato-com-o-ser, Maria falava sobre suas verdades. Várias das verdades de Maria não me condiziam. Maria passou por coisas que eu não passei, muito provavelmente por coisas que eu nem passarei. Somos pessoas diferentes, diferentes vidas, nada mais plausível. Me atentei às suas verdades, como aprendi a fazer por conta de minha vida civil e harmônica, em construção gradualmente há 21 anos. Gostei de vê-la enquanto o seu Eu;
ainda que as presilhas do mundo cultural façam com que este seu Eu saia frequentemente em faíscas (socialmente), me foi intenso ouvi-la. As lascas de fogo que saiam da sua boca me queimavam o ouvido. Momentaneamente vi luz demais, e logo depois nada vi. Suas palavras eram pequenas granadas de luz que eu me deixava cegar por serem os estouros de suas verdades lindos como os sons de uma boa pipoca.
Com Maria, não tive um senso de identificação em termos de conteúdo nas falas. Talvez em uma coisa ou outra leve, como o fato de que nós dois comemos com bastante voracidade. Mas por exemplo, Maria muito provavelmente não vai curtir ver uma maratona de filme comigo, um atrás do outro, da trilogia polonesa cult sexual até o tailandês tarantinista semi-cheirado pualera. Assim como eu não me imagino dando umas alongadas boladas no yoga. Mas, cara, que gostoso ouvir ela falando com tanto amor sobre como o yoga a toca. Vê-la amando foi lindo. O querer das suas palavras enquanto eu a via imaginando as coisas que dizia com uma face apaixonada. Vi, no yoga de Maria, uma linda Maria.
Por que esse raciocínio se deu?
Creio que predominantemente foram os seguintes aforismas, junto ao ressoar da voz de Maria, que me trouxeram essas reflexões todas.
* No filme LadyBird, uma moça fala à outra: "Amor e atenção, no fim das contas, não são a mesma coisa?"
Esse aforisma me vem muito à mente. Creio que amor e atenção podem ser a mesma coisa. Creio que eles também podem não ser. Uma pessoa pode estar sendo forçada a dar atenção a uma tarefa ruim no seu emprego. Ele não a ama. Creio que esse destoar entre a atenção e o amor seja parte da quebra do Eu. O indivíduo que atenciona sem amar é o indivíduo que não é pleno. Seja o escravo, que não faz o que quer por não poder, seja o confuso, que não faz o que quer por não saber.
No cotidiano, quando dou atenção à pessoas, de tempos em tempos troco minha atenção para outra coisa, no meio da conversa. Faço isso para que a atenção - que ando dando com vigoroso amor - não seja recebida aos ouvidos dos indivíduos sociais como algo que estes não saibam lidar. As pessoas são confusas, é natural. Eu não me vejo como um indivíduo confuso hoje, e a isso atribuo ao acaso, ao dinheiro de minha família e ao conhecimento que busquei. Dessa forma, consegui no atual momento de minha vida resolver certas questões que me levariam mais tempo se eu seguisse passos diferentes em meu viver; ao meu ver, as pessoas endeusam o estado de plenitude humana, assim como demonizam o cracudo. Em essência o que acontece é que você toma decisões mais rápido do que tomaria e não põe tanto vigor na ideia de se estressar. É isso. Isso é ser pleno. Acabou, sociedade pós-moderna, parem de enrolar, já deu.
* Herman Hesse, em Sidarta, lança essa:

Esse aforisma pega tudo que eu falei até agora, coloca na privada e dá descarga. Tudo, tudo o que eu disse sobre as palavras e a sociedade e a cultura, tudo são meros nomes que damos a tudo aquilo que não-é. Como quando Fernando Pessoa falou da leitura "a distinção entre nada e coisa nenhuma". Esses caras estão pegando toda minha apreciação pelas palavras e me colocando em xeque.
No entanto, quando toquei a pele de Maria com meu rosto no CCBB; quando nadei por ela e a vi nadar por mim... o que eu senti foi uma sensação que Hesse me ensinou a sentir, tipo quando um amigo doidão guia sua onda numa droga. A maciez da pele dela, a dureza do teu morder, o sabor!!!
Sentir.. Valorizo o conteúdo que vem de ti. Amo a sensação que me vem de ti.
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