Eu sou a gota que escorre do seu olho, que bate no seu lençol e que lá fica presa por entre quartas-feiras. Sou a mistura da água em seu lençol dentro da máquina de lavar. Suja, usada, disforme, inquieta. Para o esgoto. Sou a corrente de podridão que vasta no subsolo, até a Baía de Guanabara. Sou o vento que paira por sobre as águas pretas e imundas do mar fechado e que carrega os pássaros. Também eles são o que sou. E tomam de beber de minha água suja e de voar em meus ventos mórbidos e de comer em meu ventre morto. Sou as fezes do pássaro, decadentes sobre os pés de um homem que corre sobre o calçadão. Sou esse homem; e, sendo ele, estou sentado, de novo, em sua cama. Sou a voz do mal. Sou a gota de saliva que saltita da ponta de minha língua até sua face nas minhas horas de grosseria. Sou essa gota. Sou uma gota, uma saliva arrependida de ter saltado em prol dos meus berros e calúnias, agora destinada a fundir cusp...
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