Amigos estúpidos

tenho grandes amigos, mas este texto não é para eles; é para meus amigos estúpidos.
vocês ouvem muito tudo à sua volta, mas não sabem ouvir o som do carinho e do viver. a boca de vocês profere indiferenças por minuto tal como um lindo full on, coisas estas que, apesar de superficiais, mesmo eu na minha profundeza sei ouvir como ninguém.
me dói realizar que vocês não são meus amigos
me alivia tirar esse título que eu vos dava por mera educação e rotina.

que minha honestidade me clareie para amizades futuras, meus caros amigos idiotas.

agradeço-vos por me mostrar exatamente o que eu não quero para minha vida. agradeço-vos por não saberem ser felizes, e por chorarem pelas mesmas razões repetitiva e enfadonhamente. o tédio com que me transbordo quando converso com vocês me direcionou para assuntos interessantíssimos, que com o tempo mastreei gradativamente. e quando introduzi tais assuntos na roda, vi nos seus olhos a carência contemplativa. seus ouvidos não sabem ouvir. amigos estúpidos, não vos cansam de viver assim?

queria carinho de vocês. não o tive, e por isso procurei pelos arredores do viver. isso não exclui o carinho que sinto por vocês. me frustro por soltá-lo mil vezes das minhas mil formas e saber que irá ricochetear na parede que vocês levantam em volta da vossa compreensão; parede esta apelidada por vós mesmos como "realidade", tão irreal quanto as risadas que vós dais perante a mesmice de vosso viver.

meus amigos estúpidos, amo-vos, ainda que queria apenas sentir indiferença por vocês.
sei não amá-los, e isso me basta para quando me encheis o saco.

mas me pego cansado de estar em dúvida se o que eu desejo é simplesmente esquecê-los ou vê-los felizes

porque realmente não creio que vocês são capazes de serem felizes,
e sei também que eu não vou conseguir esquecê-los

então me resta aceitar isso; o que eu não quero

mas vou, porque me fará bem:

É aqui, com pesar e em segrego, que digo à mim mesmo e aos amigos idiotas que lerem isto no futuro...
Eu revogo nossa amizade.

até mais conversas educadas no futuro, repletas das mesmas small talks, vazias como seus olhos sem cor;

que no meu silêncio vocês saboreiem a minha verdadeira voz.
e, se não,

vida segue.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Gota