my c,lips
Box Em busca do tempo perdido (Marcel Proust)
- Seu marcador na página 575 | posição 8813 | Adicionado: segunda-feira, 8 de novembro de 2021 17:23:17
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu marcador na página 160 | posição 2441 | Adicionado: segunda-feira, 8 de novembro de 2021 17:24:15
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 181 | posição 2773-2779 | Adicionado: quarta-feira, 10 de novembro de 2021 03:02:16
Ouve-se dizer que aqui um ex-estudante assaltou o correio numa estrada real; ali gente de posição social destacada falsifica dinheiro; em Moscou, capturam uma quadrilha de falsificadores de bilhetes de loteria (Essa quadrilha foi efetivamente desbaratada em 1865, e entre seus participantes figurava A. T. Neofítov, que vinha a ser parente do próprio Dostoiévski. A declaração de Neofítov feita em juízo, de que visara a atenuar a sua situação e a da mãe, e sua confissão transcrita por seu advogado: “Neofítov não confessou perante o juiz de instrução mas perante sua consciência... o momento da confissão de Neofítov foi o momento sagrado do despertar de uma alma honesta e ainda não deformada”, figuram nos manuscritos de Crime e castigo como elementos motivadores da construção do crime de Raskólnikov. (N. da
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 182 | posição 2783-2789 | Adicionado: quarta-feira, 10 de novembro de 2021 10:54:56
Há muitas mudanças na economia... – respondeu Zóssimov. – A que atribuir? – aferrou-se Razumíkhin. – Ora, é justamente à arraigada e excessiva falta de espírito empreendedor que se pode atribuir isso. – Como assim? – O que respondeu em Moscou seu professor de história universal quando lhe perguntaram por que falsificava papel-moeda? “Todos estão enriquecendo de várias maneiras, então eu também quis enriquecer o quanto antes.” Não me lembro das palavras exatas, mas o sentido foi o de enriquecer o quanto antes, à custa dos outros, sem esforço! Acostumaram-se a viver recebendo tudo pronto, a caminhar levados por mãos alheias, a comer já mastigado. Bem, chegou o grande momento em que cada um se apresenta com a cara que tem...
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 187 | posição 2864-2865 | Adicionado: quarta-feira, 10 de novembro de 2021 11:23:10
ou melhor ainda quando está caindo uma neve úmida, diretamente, sem vento, sabe? E os lampiões brilham entre os flocos.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 202 | posição 3085-3086 | Adicionado: quinta-feira, 11 de novembro de 2021 18:32:14
Será que não percebes que estou falando em pleno gozo de minhas faculdades mentais?
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 202 | posição 3088-3088 | Adicionado: quinta-feira, 11 de novembro de 2021 18:33:27
experimentando uma alegria antecipada por todo
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 202 | posição 3088-3089 | Adicionado: quinta-feira, 11 de novembro de 2021 18:33:32
Ele começou calmamente, experimentando uma alegria antecipada por todo o veneno que se dispunha a verter, mas terminou furioso e arfando,
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 222 | posição 3392-3394 | Adicionado: sábado, 13 de novembro de 2021 23:28:13
Entre a multidão, silenciosa e tímida, uma moça abriu caminho, e era estranho o seu aparecimento repentino naquele quarto, no meio da miséria, de maltrapilhos, da morte e do desespero. Ela também estava maltrapilha; metida num vestido barato mas enfeitado à moda da rua, segundo o gosto e as regras do mundo especial dela, com o fim nítido e vergonhosamente explícito.
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Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (Porto Editora)
- Seu destaque ou posição 340661-340663 | Adicionado: domingo, 14 de novembro de 2021 00:03:14
sandeu [sˈdew] adj.,s.m. (feminino sandia) idiota; pateta; palerma; mentecapto ETIM. Do latim sancte Deus!, «santo Deus!», exclamação de piedade
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Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (Porto Editora)
- Sua nota ou posição 340663 | Adicionado: domingo, 14 de novembro de 2021 00:03:28
Santo, tolo
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 240 | posição 3680-3680 | Adicionado: domingo, 14 de novembro de 2021 12:21:49
A gente tem de arranjar jeito de não ser o que é, de parecer o mínimo possível consigo mesmo!
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 240 | posição 3680-3691 | Adicionado: domingo, 14 de novembro de 2021 12:22:06
A gente tem de arranjar jeito de não ser o que é, de parecer o mínimo possível consigo mesmo! Entre eles é isso que se considera o mais elevado progresso. Se pelo menos mentissem a seu modo, no entanto... – Escute – interrompeu timidamente Pulkhéria Alieksándrovna –, isso só pôs lenha na fogueira. – E o que a senhora acha? – gritou Razumíkhin, levantando ainda mais a voz. – A senhora acha que estou a favor de que eles mintam? Absurdo! Eu gosto quando mentem! A mentira é o único privilégio humano perante todos os organismos. Quem mente chega à verdade! Minto, por isso sou um ser humano. Nunca se chegou a nenhuma verdade sem antes haver mentido de antemão quatorze, e talvez até cento e quatorze vezes, e isso é uma espécie de honra; mas nós não somos capazes nem de mentir com inteligência! Mente para mim, mas mente a teu modo, e então eu te dou um beijo. Mentir a seu modo é quase melhor do que falar a verdade à moda alheia; no primeiro caso és um ser humano, no segundo, não passas de um pássaro! A verdade não foge e a vida a gente pode segurar com pregos; exemplos houve. E hoje, o que nós fazemos? Todos nós, todos sem exceção, no que se refere à ciência, ao desenvolvimento, ao pensamento, aos inventos, aos ideais, aos desejos, ao liberalismo, à razão, à experiência e tudo, tudo, tudo, tudo, ainda estamos na primeira classe preparatória do colégio! Nós nos contentamos em viver da inteligência alheia – e nos impregnamos! Não é verdade? Não é verdade o que estou falando? – gritava Razumíkhin, sacudindo e apertando as mãos de ambas as senhoras – Não é verdade?
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 243 | posição 3713-3714 | Adicionado: domingo, 14 de novembro de 2021 19:40:14
Apesar de eu ter acabado de censurar injuriosamente todos eles, respeito todos eles;
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Sua nota na página 243 | posição 3714 | Adicionado: domingo, 14 de novembro de 2021 19:40:43
Lucas amigo do meu irmão falou isso ontem
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Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (Porto Editora)
- Seu destaque ou posição 105398-105398 | Adicionado: quinta-feira, 18 de novembro de 2021 15:01:51
[sɨrˈdozu] adj.1 que tem cerdas
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Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (Porto Editora)
- Seu destaque ou posição 105398-105398 | Adicionado: quinta-feira, 18 de novembro de 2021 15:01:55
[sɨrˈdozu] adj.1 que tem cerdas
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 256 | posição 3916-3924 | Adicionado: quinta-feira, 18 de novembro de 2021 15:34:40
– Mas isso é muito natural – respondeu Dmitri Prokófitch. – Eu não tenho mãe, mas todo ano meu tio vem me visitar e cada vez quase não me reconhece nem pela aparência, e ele é um homem inteligente. Bem, nesses três anos de separação entre vocês muita água correu. O que dizer à senhora? Eu conheço Rodion há um ano e meio: carrancudo, sombrio, soberbo e altivo; ultimamente (ou talvez bem antes) anda cismado e hipocondríaco. É magnânimo e bom. Não gosta de externar seus sentimentos e antes prefere uma crueldade a fazer falar o coração. Às vezes, porém, não tem nada de hipocondríaco, mas é simplesmente frio e insensível até a desumanidade, palavra, como se nele se alternassem dois caracteres opostos. Às vezes é terrivelmente taciturno! Nunca tem tempo para nada, tudo o atrapalha, mas vive deitado sem fazer nada. Não faz galhofa, e não porque lhe falte graça, mas é como se não lhe restasse tempo para semelhantes futilidades. Não ouve até o fim o que os outros falam. Nunca se interessa pelo que todos os outros estão interessados em dado momento. Tem um conceito terrivelmente alto de si mesmo e, parece, não deixa de ter certo direito a isso. Bem, que mais?... Acho que a sua vinda terá sobre ele a mais salutar influência.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 257 | posição 3931-3933 | Adicionado: quinta-feira, 18 de novembro de 2021 15:36:07
Estivessse Avdótia Románovna vestida como uma rainha e ele, parece, não teria nenhum medo dela; agora, porém, talvez precisamente porque ela estivesse vestida de jeito tão pobre e ele houvesse percebido toda essa situação de tamanha escassez, o medo se instalava em seu coração e ele passou a temer cada palavra, cada gesto, o que, é claro, era embaraçoso para um homem que, além disso, já não confiava em si mesmo.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 259 | posição 3962-3962 | Adicionado: quinta-feira, 18 de novembro de 2021 15:39:23
Via-se que esse incidente era o que mais a perturbava, suscitando temor e tremor.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 268 | posição 4103-4103 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 01:57:14
Mas de que é que eu tenho medo?...”
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 269 | posição 4110-4111 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 01:59:03
porque estávamos sozinhas, totalmente sozinhas
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 269 | posição 4114-4118 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 02:00:20
– O que é que eu ainda queria mesmo? – continuou ele, soerguendo-se a muito custo. – Sim: por favor, mãezinha, e tu, Dúnietchka, não pensem que eu não estivesse querendo primeiro ir vê-las hoje e primeiro ter esperado por vocês. – Ora, o que estás dizendo, Ródia! – exclamou Pulkhéria Alieksándrovna, já surpresa. “O que é isso, ele estará nos respondendo por obrigação? – pensou Dúnietchka. – Faz as pazes, e pede desculpas, como se estivesse cumprindo uma formalidade ou repisando uma lição.”
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 269 | posição 4124-4126 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 02:01:20
– Um fenômeno por demais conhecido – interveio Zóssimov –: às vezes executa-se um ato com maestria, com extrema habilidade, mas a administração dos atos, a fonte dos atos está em desordem e depende de várias impressões mórbidas. Lembra um sonho.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 269 | posição 4124-4127 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 02:01:32
– Um fenômeno por demais conhecido – interveio Zóssimov –: às vezes executa-se um ato com maestria, com extrema habilidade, mas a administração dos atos, a fonte dos atos está em desordem e depende de várias impressões mórbidas. Lembra um sonho. “Ora, pode ser até bom que ele me considere quase
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 269 | posição 4124-4127 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 02:01:38
– Um fenômeno por demais conhecido – interveio Zóssimov –: às vezes executa-se um ato com maestria, com extrema habilidade, mas a administração dos atos, a fonte dos atos está em desordem e depende de várias impressões mórbidas. Lembra um sonho. “Ora, pode ser até bom que ele me considere quase um louco “ – pensou Raskólnikov.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 271 | posição 4150-4153 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 02:05:11
se percebia. “Pois é, elas estão mesmo com medo de mim” – pensava consigo Raskólnikov, olhando de esguelha para a mãe e a irmã. De fato, quanto mais Pulkhéria Alieksándrovna calava, mais tímida ia ficando. “Na ausência, parece, eu as amava” – passou-lhe de relance pela cabeça.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 271 | posição 4148-4153 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 02:05:28
Basta, Ródia, estou certa de que tudo o que tu fazes, tudo é maravilhoso! – disse contente a mãe. – Não esteja certa – respondeu ele, entortando a boca num sorriso. Fez-se silêncio. Havia qualquer coisa de tenso em toda essa conversa, no silêncio, na reconciliação, no perdão, e isso se percebia. “Pois é, elas estão mesmo com medo de mim” – pensava consigo Raskólnikov, olhando de esguelha para a mãe e a irmã. De fato, quanto mais Pulkhéria Alieksándrovna calava, mais tímida ia ficando. “Na ausência, parece, eu as amava” – passou-lhe de relance pela cabeça.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 272 | posição 4159-4163 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 02:06:32
– Não, era inclusive o contrário. Com ela ele sempre foi muito paciente, até gentil. Em muitos casos até condescendente demais com o temperamento dela, sete anos inteiros... Não se sabe como, de repente perdeu a paciência. – Logo, ele não é nada de tão horrível se durante sete anos se conteve, não é? Tu, Dúnietchka, parece que o absolves? – Não, não, ele é um homem horrível! Não consigo imaginar ninguém mais horrível – Dúnia respondeu quase estremecendo, franziu o cenho e ficou pensativa.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 276 | posição 4227-4239 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 02:17:51
Havia, porém, uma questão inadiável, que, de uma forma ou de outra, precisava ser resolvida obrigatoriamente hoje – era o que ele havia decidido ainda há pouco, ao acordar. Agora a questão o contentava como saída. – Veja uma coisa, Dúnia – começou ele sério e seco –, eu, é claro, te peço desculpas por ontem, mas considero um dever te lembrar mais uma vez que não recuei do meu ponto principal. Ou eu ou Lújin. Que eu seja um canalha, mas tu não deves aceitar. Um tipo qualquer. E se te casares com Lújin deixo imediatamente de te considerar minha irmã. – Ródia, Ródia! Tu estás dizendo o mesmo que disseste ontem – exclamou amargurada Pulkhéria Alieksándrovna –, e por que sempre se dizendo canalha? Não posso suportar isso! E ontem foi a mesma coisa... – Meu irmão – respondeu Dúnia com firmeza e também secamente –, em tudo isso há um equívoco de tua parte. Durante a noite ponderei e descobri o equívoco. Tudo isso é porque tu supões que eu estaria me sacrificando por alguém e para alguém. Não é nada disso. Estou me casando simplesmente por mim, porque para mim mesma está difícil; por outro lado, porém, ficarei feliz se conseguir ser útil aos meus familiares, mas em minha decisão esse não é o motivo mais importante... “Está mentindo! – pensava ele consigo, roendo as unhas de raiva. – Bancando a orgulhosa! Não quer reconhecer que sua finalidade é o benfazer. Oh, naturezas vis! Amam como se odiassem... Ai que ódio as duas me dão!”
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 310 | posição 4752-4755 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 21:57:56
Raskólnikov tornou a sorrir. Compreendeu num instante em que consistia a questão e para onde queriam empurrá-lo; estava lembrado do seu artigo. Decidiu aceitar o desafio. – Não é exatamente assim que está em meu artigo – começou ele com simplicidade e modéstia. – Pensando bem, reconheço que o senhor o expôs quase fielmente;
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 312 | posição 4770-4772 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 22:00:41
terríveis. Em suma, eu concluo que todos os indivíduos, não só os grandes, mas até aqueles que saem um mínimo dos trilhos, isto é, que têm a capacidade, ainda que mínima, de dizer alguma coisa nova, devem ser, por sua natureza, forçosamente criminosos – mais ou menos, é claro.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 312 | posição 4770-4772 | Adicionado: sexta-feira, 19 de novembro de 2021 22:00:47
Em suma, eu concluo que todos os indivíduos, não só os grandes, mas até aqueles que saem um mínimo dos trilhos, isto é, que têm a capacidade, ainda que mínima, de dizer alguma coisa nova, devem ser, por sua natureza, forçosamente criminosos – mais ou menos, é claro.
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Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (Porto Editora)
- Seu destaque ou posição 171520-171521 | Adicionado: domingo, 21 de novembro de 2021 17:51:33
[(i)∫kɐrˈvar] v.tr.1 abrir escarva
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 333 | posição 5106-5107 | Adicionado: terça-feira, 23 de novembro de 2021 03:00:56
Está em pé esperando, e espera muito, e quanto maior é o silêncio da lua tanto mais forte bate o coração dele, passou até a doer.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 334 | posição 5112-5116 | Adicionado: terça-feira, 23 de novembro de 2021 03:02:59
Ele se curva sobre ela: “está com medo!” – pensa, tira devagarinho o machado do laço e golpeia uma, duas vezes as têmporas da velha. Mas, estranho: ela nem se mexe com os golpes, como se fosse de madeira. Ele leva um susto, curva-se mais perto e põe-se a examiná-la; mas ela baixa ainda mais a cabeça. Então ele se abaixa inteiramente até o chão e passa a lhe olhar o rosto de baixo para cima, espia e fica petrificado: a velhusca, sentada, está rindo – desmanchando-se num riso baixo, silencioso, fazendo todos os esforços para que ele não escute.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Sua nota na página 334 | posição 5116 | Adicionado: terça-feira, 23 de novembro de 2021 03:03:11
Q horror
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 343 | posição 5248-5251 | Adicionado: quarta-feira, 24 de novembro de 2021 03:14:45
Ora veja! Eu já estivera antes no exterior, e sempre me deu náusea. Não é que fosse náusea, pois a gente vê, por exemplo, o despontar da aurora, a baía de Nápoles, o mar, mas de alguma forma ainda fica melancólico. O que mais repugna é a gente sentir melancolia de fato por alguma coisa! Não, na terra da gente é melhor: aqui, ao menos a gente põe a culpa de tudo nos outros e se desculpa a si mesmo.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 346 | posição 5300-5302 | Adicionado: quarta-feira, 24 de novembro de 2021 03:21:25
“Você é bem capaz disso, Arkadi Ivánovitch: não será grande honra para você mal ter acabado de enterrar a mulher e já sair correndo para casar. Se pelo menos tivesse feito uma boa escolha, mas eu sei que não vai ser bom para ela nem para você, você vai apenas fazer rir as pessoas de bem”.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 347 | posição 5317-5325 | Adicionado: quarta-feira, 24 de novembro de 2021 03:24:36
Eu concordo que os fantasmas só aparecem a doentes; no entanto isso só demonstra que os fantasmas não podem aparecer senão a doentes e não que, em si mesmos, eles não existam. – É claro que não! – insistiu Raskólnikov com irritação. – Não? O senhor pensa assim? – continuou Svidrigáilov, olhando lentamente para ele. – Bem, e se a gente raciocinar assim (ajude-me): “Os fantasmas, são, por assim dizer, farrapos e fragmentos de outros mundos, o seu princípio. O homem sadio, naturalmente, não tem por que vê-los, pois o homem sadio é uma pessoa mais terrena, logo, deve viver exclusivamente a vida daqui, para se manter na plenitude e na ordem. No entanto basta ele adoecer um mínimo, basta haver a mais leve infração da ordem normal da terra no organismo para que logo comece a manifestar-se a possibilidade de um outro mundo, e quanto mais ele adoece mais se sente em contato com o outro mundo, de sorte que, quando o homem morre inteiramente, aí ele vai direto para o outro mundo”. Venho raciocinando sobre isso há muito tempo. Se o senhor acredita no outro mundo, então pode acreditar nesse raciocínio.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 389 | posição 5952-5956 | Adicionado: quinta-feira, 25 de novembro de 2021 04:05:21
Mas ainda assim lhe ficou claro mais uma vez que Sônia, com seu caráter e com aquele nível de evolução que atingira, apesar de tudo, de maneira nenhuma poderia continuar nessa vida. Entretanto havia para ele uma pergunta: por que ela, há tanto e tão longo tempo, conseguia permanecer nessa situação sem enlouquecer, se não tinha forças para se atirar n’água? Claro, ele compreendia que a situação de Sônia era obra do acaso na sociedade, embora, infelizmente, nem de longe fosse única e exclusiva.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 389 | posição 5959-5960 | Adicionado: quinta-feira, 25 de novembro de 2021 04:06:06
“Ela tem três saídas – pensava ele –: atirar-se no canal, ir para um manicômio ou... ou... finalmente entregar-se à perversão, que entorpece a razão e petrifica o coração.”
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 390 | posição 5974-5982 | Adicionado: quinta-feira, 25 de novembro de 2021 04:09:43
– E Deus, o que faz por ti em troca disso? – continuou ele, perscrutando. Sônia fez longo silêncio, como se não conseguisse responder. Seu peito fraco arfava todo de agitação. – Cale-se! Não faça perguntas! O senhor não tem esse merecimento!... – exclamou de chofre, olhando para ele severa e irada. “É assim mesmo!” – insistiu ele de si para si. – Faz tudo! – sussurrou ela atropelando as palavras, mais uma vez baixando a vista. “Eis o desfecho! Eis também a explicação do desfecho!” – resolveu ele consigo mesmo, examinando-a com uma curiosidade ávida. Era com um sentimento novo, estranho e quase malsão que ele examinava aquele rostinho pálido, magro, anguloso e irregular, aqueles dóceis olhos azuis, capazes de brilhar com aquele fogo, com aquele sentimento severo, enérgico, aquele corpinho pequeno ainda trêmulo de indignação e ira, e tudo isso lhe parecia cada vez mais estranho, quase impossível.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 393 | posição 6020-6028 | Adicionado: quinta-feira, 25 de novembro de 2021 04:15:40
Em parte Raskólnikov compreendia por que Sônia não se decidia a ler para ele, e quanto mais o entendia mais parecia grosseiro e irascível na sua insistência. Ele compreendia bem demais como era difícil para ela, nesse momento, revelar e evidenciar todo o seu íntimo. Compreendeu que, em realidade, esses sentimentos pareciam constituir o segredo verdadeiro dela e, talvez, já antigo, talvez originado em plena adolescência, ainda no seio da família, ao lado de um pai infeliz e uma madrasta enlouquecida pelo sofrimento, entre crianças famintas, gritos e exprobações revoltantes. Mas, ao mesmo tempo, agora ele sabia, e sabia de certo, que ela, ainda que sentisse melancolia e temesse alguma coisa terrível ao começar a ler, todavia, por outro lado, sentia pessoalmente uma angustiante vontade de ler, a despeito de toda a melancolia e de todos os temores, e fazê-lo precisamente para ele, para que ele ouvisse, e precisamente agora – “acontecesse o que acontecesse depois!”... Isto ele leu nos olhos dela, compreendeu pela emoção exaltada que ela revelava... Ela se dominou, controlou o espasmo na garganta, a voz que embargara no início do capítulo e continuou a ler o capítulo 11 do Evangelho segundo João. E assim o leu até o versículo 19.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 410 | posição 6273-6280 | Adicionado: quinta-feira, 2 de dezembro de 2021 11:19:24
Mas tudo isso é tolice e coisa superficial. O que quer dizer vai fugir!? Coisa formal: o principal não é isso; não é só pelo fato de que não me escapará que ele não tem para onde fugir: é psicologicamente que ele não fugirá de mim, he-he. Que expressãozinha! É pela lei natural que ele não me fugirá, ainda que tenha para onde fugir. Já viu uma mariposa diante de uma vela? Pois bem, ele ficará, ficará sempre girando ao meu redor, como ao redor de uma vela; a liberdade não lhe será doce, ele cairá em meditação, se sentirá numa enroscada, tolhido por todos os lados como se estivesse preso numa rede, morrendo de aflição!... Além disso, ele mesmo armará para mim uma peça matemática, como um dois mais dois, basta que eu lhe conceda um entreato mais longo... E ficará sempre, ficará sempre girando ao meu redor, estreitando cada vez mais e mais o raio, e – pimba! Cairá direto em minha boca, eu o engolirei, e isso vai ser muito agradável, he-he-he! O senhor não está acreditando?
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 411 | posição 6296-6297 | Adicionado: quinta-feira, 2 de dezembro de 2021 12:28:16
A agudeza brejeira da inteligência e os argumentos abstratos da razão o seduzem.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 443 | posição 6793-6795 | Adicionado: domingo, 26 de dezembro de 2021 11:37:39
Na comuna esse papel lhe modificaria toda a essência atual, e o que aqui é tolo lá se torna inteligente, o que aqui, nas atuais circunstâncias, é antinatural, lá se torna perfeitamente natural. Tudo depende da situação e do meio em que o homem vive. Tudo depende do meio, e o próprio homem é nada.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 454 | posição 6958-6966 | Adicionado: quarta-feira, 29 de dezembro de 2021 14:12:23
os seus chifres ultramalditos; então direi à minha mulher: “Minha amiga, até agora eu apenas te amei, agora eu te respeito porque soubeste protestar!”. Você está rindo? É porque não está em condição de se livrar dos preconceitos! Que diabo, eu compreendo onde realmente está a contrariedade quando vêm com a embromação de casamento legítimo; é que isso é apenas a vil consequência de um fato vil, no qual tanto uma parte quanto a outra são humilhadas. Quando, porém, botam-se os chifres abertamente, como no casamento civil, então eles já não existem, são inconcebíveis e perdem até o nome de chifres. Ao contrário, sua mulher lhe prova apenas o quanto o respeita ao considerá-lo incapaz de opor-se à felicidade dela e o quanto você é evoluído para não se vingar dela por causa do novo marido. Aos diabos, às vezes eu penso que se me dessem em casamento, arre! se eu me casasse (no civil ou no legítimo, tanto faz), acho que eu mesmo arranjaria um amante para a minha mulher, se ela demorasse muito a arranjá-lo. “Minha amiga – eu lhe diria –, eu te amo, mas ainda por cima desejo que me respeites – eis aqui!” não é assim como estou dizendo?
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 456 | posição 6981-6982 | Adicionado: quarta-feira, 29 de dezembro de 2021 14:16:14
Esses paroxismos de orgulho e vaidade vez por outra visitam as pessoas mais pobres e esquecidas e de tempos em tempos nelas se convertem numa necessidade irritadiça e incontida.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 457 | posição 7003-7006 | Adicionado: quarta-feira, 29 de dezembro de 2021 14:21:46
Era por natureza de um caráter risonho, alegre e pacífico, mas por causa dos constantes infortúnios e fracassos passara a desejar e exigir com tanto furor que todos vivessem em paz e alegria e não se atrevessem a viver de outra forma que a mais leve dissonância na vida, o mais ínfimo malogro passaram a levá-la imediatamente à beira do furor, e ela, num abrir e fechar de olhos, depois das mais vivas esperanças e fantasias, começava a amaldiçoar o destino, rasgar e arremessar tudo que lhe caía nas mãos e bater com a cabeça na parede.
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Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
- Seu destaque na página 457 | posição 7003-7006 | Adicionado: quarta-feira, 29 de dezembro de 2021 14:22:55
Era por natureza de um caráter risonho, alegre e pacífico, mas por causa dos constantes infortúnios e fracassos passara a desejar e exigir com tanto furor que todos vivessem em paz e alegria e não se atrevessem a viver de outra forma que a mais leve dissonância na vida, o mais ínfimo malogro passaram a levá-la imediatamente à beira do furor, e ela, num abrir e fechar de olhos, depois das mais vivas esperanças e fantasias, começava a amaldiçoar o destino, rasgar e arremessar tudo que lhe caía nas mãos e bater com a cabeça na parede.
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