Certeza
A minha certeza nas coisas não vem com um copo de segurança. Camuflo-me de mim mesmo, vendo aquilo que sei que acontece, mas colocando por entre nós, acontecimento e pessoa, muros revestidos de pichações e histórias, de amores e glórias, lágrimas...
Mas se já sei de certa forma disso, fico encantado com a forma sutil com que me permito estupidamente me surpreender com o jeito que as coisas se dão. Acho que, sendo bem sincero, aproveito mais a vida quando abro os sorrisos para as coisas que já me antevi abrindo, quando abraço os abraços que já sei que vou abraçar.
O elemento surpresa me parece extraviado nessa vida, e quando o vejo nos olhos de meus próximos, ou ainda nos dos distantes, ainda que fique feliz por eles, preciso sempre remediar a angústia e a auto pungência com que me aflijo: por que eu sei tanto assim?
E logo depois saboreio como que para me desculpar a ideia de que sou apenas gente, de que meu corpo é poeira de sarjeta, mesclada pelo tempo, à sorte; e isso me traz a segurança de que no fim das contas eu não devo saber tanto quanto acho que sei. Mas por que quando beijo e olho e abraço os calores amores e enfados nunca me são inéditos? Anda minha capacidade imaginativa perambulando o seu auge há tanto tempo assim, antes de mim, quem sabe? Ou seria milagre, eu, semi-divindade, a perlar os passos divinos num mundo de gente? Me encontro nesse abismo de diferença, na falta da igualdade, reconhecendo como igual aquilo que não é, e daí me tomo por ausente: não do momento, jamais - espero eu - mas das sensações, como se para sentir me fosse necessário esse acervo, como se para ser eu precisasse saber ser.
E se eu perguntar a alguém se isso é normal, então a resposta vai ser Sim é normal, e daí para frente eu começo a ser, e as coisas vão ser por si só inseguras, e eu caio de meu oásis divino para engatinhar humanamente por entre outros bebês humanos...
Nessas horas geralmente eu noto que ando sonhando muito e que preciso acordar de meu berço para ver se aprendo a ficar em pé, viajar menos.
Talvez eu fique em pé, mas cá entre nós,
dans le voyage, je suis
Mas se já sei de certa forma disso, fico encantado com a forma sutil com que me permito estupidamente me surpreender com o jeito que as coisas se dão. Acho que, sendo bem sincero, aproveito mais a vida quando abro os sorrisos para as coisas que já me antevi abrindo, quando abraço os abraços que já sei que vou abraçar.
O elemento surpresa me parece extraviado nessa vida, e quando o vejo nos olhos de meus próximos, ou ainda nos dos distantes, ainda que fique feliz por eles, preciso sempre remediar a angústia e a auto pungência com que me aflijo: por que eu sei tanto assim?
E logo depois saboreio como que para me desculpar a ideia de que sou apenas gente, de que meu corpo é poeira de sarjeta, mesclada pelo tempo, à sorte; e isso me traz a segurança de que no fim das contas eu não devo saber tanto quanto acho que sei. Mas por que quando beijo e olho e abraço os calores amores e enfados nunca me são inéditos? Anda minha capacidade imaginativa perambulando o seu auge há tanto tempo assim, antes de mim, quem sabe? Ou seria milagre, eu, semi-divindade, a perlar os passos divinos num mundo de gente? Me encontro nesse abismo de diferença, na falta da igualdade, reconhecendo como igual aquilo que não é, e daí me tomo por ausente: não do momento, jamais - espero eu - mas das sensações, como se para sentir me fosse necessário esse acervo, como se para ser eu precisasse saber ser.
E se eu perguntar a alguém se isso é normal, então a resposta vai ser Sim é normal, e daí para frente eu começo a ser, e as coisas vão ser por si só inseguras, e eu caio de meu oásis divino para engatinhar humanamente por entre outros bebês humanos...
Nessas horas geralmente eu noto que ando sonhando muito e que preciso acordar de meu berço para ver se aprendo a ficar em pé, viajar menos.
Talvez eu fique em pé, mas cá entre nós,
dans le voyage, je suis
Comentários
Postar um comentário