Inconclusões
Uma cadelinha se empenhou em manter viva seu único filhote. Ela comia até grama na esperança de que seu corpo tivesse alguma umidade pra amamentar o recém nascido. Na esperança de encontrar comida ou água, dia após dia, ela procurava fontes, nascentes ou roedores para ele. Vida de rua não é fácil, e a cadelinha bem sabe disso.
Ela ficou magra e ele começou a crescer. Passou do tamanho de um dedo ao tamanho de uma mão. Agora seus olhos já ficavam abertos e ele não precisava ficar deitado parado o tempo todo. Nessa hora a mãe achou mais fácil tentar procurar comida.
Aí ela ficou feliz resolver andar por caminhos que não conhecia; a comida estava acabando onde ela já manjava. Viu um chão diferente daqueles do mato: todo preto, com umas faixas estranhas e coloridas de uma ponta a outra. Tudo vazio, nem um pingo de existência; só os matinhos que ela nunca deixou de comer de quando em quando depois que teve seu filho.
Decidiu andar até o fim daquele chão - "vai que leva a algum lugar" ou coisa do tipo que cães pensam -. Andou por um dia inteiro e nem sinal de nada. Como sempre uma mãe atenciosa, ela não desistiu. Resolveu dormir com o filhote e continuar no outro dia. Dormiu ali mesmo no chão, porque ainda estava entardecendo e o sol tinha esquentado aquele chão. Tudo bem que à noite iria esfriar, mas cães não dormem tanto assim mesmo.
O cãozinho acordou com um barulho alto. Uma luz estava indo embora muito rápido pelo chão estranho. Ele gritou pela sua mãe, mas não conseguiu vê-la: estava muito escuro pela noite. Ele sentiu o cheiro dela e os pelos dela. Sentia o calor indo embora dela. Sentia ela. Mas não sentia o coração dela.
Ele correu. Apavorou. Quem não iria? Talvez por medo de acontecer o mesmo com ele, talvez pra procurar ajuda, ou só porque suas patas mandaram. Ele só correu, por horas.
No meio do caminho, cansou, deitou, e, antes que pudesse lamentar qualquer coisa, seus olhos já se haviam fechado.
Acordou no colo de um outro ser sem nada entender.
Um bicho diferente entrou com ele dentro de uma caixa com rodas embaixo. Esta fez um barulho doido e começou a andar naquela rua estranha. Os bichos dentro do carro faziam sons:
- Ele deve ter sido abandonado por algum morador daqui, como alguém ia deixar um cãozinho desse na rua?
- Só pode ser um filho da puta.
E, na ida, ele se empoleirou na janela e pôde ver
sua mãe.
Ela ficou magra e ele começou a crescer. Passou do tamanho de um dedo ao tamanho de uma mão. Agora seus olhos já ficavam abertos e ele não precisava ficar deitado parado o tempo todo. Nessa hora a mãe achou mais fácil tentar procurar comida.
Aí ela ficou feliz resolver andar por caminhos que não conhecia; a comida estava acabando onde ela já manjava. Viu um chão diferente daqueles do mato: todo preto, com umas faixas estranhas e coloridas de uma ponta a outra. Tudo vazio, nem um pingo de existência; só os matinhos que ela nunca deixou de comer de quando em quando depois que teve seu filho.
Decidiu andar até o fim daquele chão - "vai que leva a algum lugar" ou coisa do tipo que cães pensam -. Andou por um dia inteiro e nem sinal de nada. Como sempre uma mãe atenciosa, ela não desistiu. Resolveu dormir com o filhote e continuar no outro dia. Dormiu ali mesmo no chão, porque ainda estava entardecendo e o sol tinha esquentado aquele chão. Tudo bem que à noite iria esfriar, mas cães não dormem tanto assim mesmo.
O cãozinho acordou com um barulho alto. Uma luz estava indo embora muito rápido pelo chão estranho. Ele gritou pela sua mãe, mas não conseguiu vê-la: estava muito escuro pela noite. Ele sentiu o cheiro dela e os pelos dela. Sentia o calor indo embora dela. Sentia ela. Mas não sentia o coração dela.
Ele correu. Apavorou. Quem não iria? Talvez por medo de acontecer o mesmo com ele, talvez pra procurar ajuda, ou só porque suas patas mandaram. Ele só correu, por horas.
No meio do caminho, cansou, deitou, e, antes que pudesse lamentar qualquer coisa, seus olhos já se haviam fechado.
Acordou no colo de um outro ser sem nada entender.
Um bicho diferente entrou com ele dentro de uma caixa com rodas embaixo. Esta fez um barulho doido e começou a andar naquela rua estranha. Os bichos dentro do carro faziam sons:
- Ele deve ter sido abandonado por algum morador daqui, como alguém ia deixar um cãozinho desse na rua?
- Só pode ser um filho da puta.
E, na ida, ele se empoleirou na janela e pôde ver
sua mãe.
Comentários
Postar um comentário